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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um ser


Um ser obscuro
um ser solitário
esconde-se no escuro
um ser ao contrário

cabelo comprido
botas pesadas
um rato comido
são histórias
contadas

Lamento


Devo aceitar o meu padecer,
Sombras, carne fétida,
Tudo é negro.
Estou pálida,
Falta sangue nas veias,
Falta vida neste viver.

Grito, tento me aproximar,
Ninguém escuta…
Choro a dor de feridas
Expostas na alma,
Ninguém vem me consolar…
Sou nada, existi apenas.

Alta madrugada, todos dormem,
Sono profundo, eterno,
Estou a perambular, não descanso,
Frio jazigo.
Queria embalar num sono real,
Voltar a viver, sorrir …
Desta vez quem sabe,
Ser feliz.

A saudade que há de matar


Rosas perfumadas e sem espinhos,
Que colheste, ferindo as mãos,
Sobre meu túmulo vais desfolhando
Na mais completa solidão…

Segue meu corpo envolto
Por flores, entrelaçadas as mãos,
Que um dia seguraram as tuas,
E suplicaram amor em vão!

Ruflarei minhas asas na tênue linha,
Que separa, no horizonte, o céu…
E hei de te ver chorar sozinha!

E se um dia tiveres que me encontrar!
Que venhas vestida no mais puro véu,
Da saudade que te há de matar!

Por detrás do rosto fechado


Os olhos que se fecham num rosto fechado,
Abrindo velhas chagas de velhas memórias,
Sentindo cada chaga perfurar a alma,
Aquela que há muito tempo se perdeu,
Se espalhando em mil pedaços pelo chão…

Onde o rosto nunca se abre,
Rosto que sangra por dentro,
Arrancando cada esperança de si…

Oh, que amarga doçura…
A musica que embala do compasso,
O compasso que se arrasta para a morte,
Arrastando aquele ser que se fecha,
Deixando cada chaga se esvaiando em sangue,
Iluminando pelas trevas a alma perdida,
Fechando sobre si tudo o que se desaba,
Deixando que apenas permaneça um rosto fechado…

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Tão vazia é minha existência.
Na penunbra da noite vago sem rumo,
na luz do dia durmo acordado.
Existência sem vida e corpo sem alma.
Fúnebre é minha aparência...
Gelada é minha alma e ainda sim vivo?
Cercado por muitos e ainda sim só...
Sempre só.
Às vezes vejo minha vida como um
filme de expressionismo alemão...
Sombrio,sem cor e sem vida.
Caminho perdido nos arabescos
pintados pelo destinho,enquanto
minha mente fica presa nos
arabescos que eu mesmo pintei.
Corpo sem espírito,mente sem
motivação e ainda sim vivo?

Você


Não é preciso ver lágrimas em seus olhos para saber que você não está bem. Não é preciso ver você em um caixão para saber que está morta, pois o seu silencio chora por si e se as lágrimas surgirem será você que está se matando......

Pedaços de mim no chão


No espaço onde eu habitava não me encontro mais.
no mesmo lugar está um velho par de sapatos;
roupas num canto, outras na parede penduradas.
na solidão conversam entre si em diálogos silenciosos;
perguntam por mim.
Mas não estou.
há tempos não me vêm, há tempos não saem;
há tempos não me vestem; há tempos não me calçam os pés.
E não sabem onde estou.
É que sou feito do mesmo tecido que são feito os sonhos,
e como não mais tenho sonhos, tampouco tenho vida;
tampouco existo.
mas o que ainda há, são vestígios de mim.
Entre a poeira e o mofo,
o silêncio e a solidão,
pedaços de mim no chão.

Roger Silva

Agonia


DEMÔNIOS ESTRANHOS NEGROS ME RODEIAM ME SUFOCAM
O DESESPERO ME ACOMPANHA, VEM DAS ENTRANHAS DO DEMÔNIO " SUPONHO"
ME MATA AGORA MELHOR DO QUE ME MAGOAR
RELAXAR É DEMAIS PARA MIM.
NÃO CONSIGO VIVER ASSIM,
DORES SEM FIM, INFERNIZAM MINHA VIDA FERIDA SOFRIDA
SEMPRE VEM ALGO CUTUCAR ESSA BRECHA, QUE NÃO QUER SAIR DO MEU PASSADO, E SE HOSPEDA NO PRESENTE, REPATENTE, TUDO DE NOVO
ESSE MUNDO É LOUCO, VOU ME MATAR.
É DOR DEMAIS PRA SUPORTAR, NÃO VOU AQUENTAR, POR QUE ISSO?
POR QUE NÃO DESSISTO DE AMAR...

Solidão interior


Solidão interior.
É quando tu sentes
que este não é o teu lugar.
Não é o teu tempo...
Não é o teu mundo.
É sentir saudades de alguém
que tu não conheces.
É quando mesmo acompanhado,
tu te sentes sozinho.

Solidão interior.
É sorrir e sentires-te triste.
É quando os teus dias passam devagar.
É quando tu te encontras na
escuridão das noites, sem ninguém.
É quando tu desabafas ao vento
e ele desmancha as tuas palavras no ar.

Solidão interior.
É quando tu tens milhões de sentimentos,
mas encontras-te no vazio.
É quando tu sentes a dor de não
viver um amor e o teu coração grita.
É quando tu queres amar,
mas não encontras a outra metade da tua alma.

Solidão interior, é quando tu
começas a acreditar que o amor
é apenas uma fuga...
para quem não sabe viver só...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Solidão


Solidão é espaço vago no coração,
não tem fundo, nos afunda no abismo
da escuridão, é vazio cheio de despeito,
um buraco no peito, um deserto de amplidão.

Solidão é um silêncio medonho,
do tamanho do próprio ser, que enche
a alma muitas vezes sem um porquê.

Solidão é como um barco naufragado,
sem um porto para ancorar, que vagueia
sem rumo, perdido em alto mar.

Solidão é caminhar conversando com
própria sombra refletida, e na loucura
de cada passo saber que esta sombra
tem vida.

Solidão é chuva fina em dias de frio,
é observar da vidraça os pingos caindo
até se formarem um rio.

Solidão não tem chão,
não tem fundo,
é buraco profundo
criado no coração.

Solidão é flor sem perfume,
céu sem mar,
mar sem ondas,
noite sem luar,
é rastro desmanchado pelo vento
de um pássaro que já não pode
mais voar.

Leni Martins

A fúria da foice


Foice de amarguras,
sua fúria ceifou
minha alma , deixando
minha aura escura.

Fúria da foice que domina
vem chegando e podando
toda alegria, numa fúria incessante
e enlouquecida.

Cortou minha trilha,
ceifou minha vida,
arrancou do meu peito
a esperança contida.

Esta fúria que move
montanhas, que parte
em duas partes minhas
feridas, feito a foice da morte
marcada para aquele dia.

Mata tudo que vem pela frente
a fúria da morte,
feito foice demente,
afiada de dois gumes delinquentes

Nessa ira que me envolve,
nessa foice que me corta
eu me entregarei ao ócio e naquele
pódio que nunca pertenci, deixarei
que a fúria da foice me dilacere até me
sucumbir.

Fúria da mente
foice do ódio,
morre tudo que se tem,
mata tudo que se pode.

Leni Martins

Lábios traiçoeiros


Beijei os lábios da noite...
Sentenciando minha pena
e como testemunha eu tinha
somente as estrelas.

Lábios que profanaram...
em beijos que me ardiam...
sem dizer nenhuma palavra
apenas me possuíam.

Naquela noite eu sabia...
que os beijos da noite eram passageiros
como a luz do dia...

Eram lábios
vagos na escuridão
covardes e arredios
que beijavam e traiam
sem pedirem perdão.

Lábios traiçoeiros,
eu já sabia
que me negarias como um Judas
antes que clareasse o dia.

Leni Martins

Baile de máscaras


Bem - vindo ao baile de máscaras da vida.
Só entra no baile aquele que máscara utiliza.

Máscara de aço, aquele que se faz de forte
porque é fraco.

Máscara de palhaço, aquele que é triste e se faz
de engraçado....

Máscara com purpurina, .aquele que se faz de frágil
porque a fúria o domina

No baile de máscaras da vida a noite não termina...
bailamos sem nos conhecermos
em cada passo, em cada esquina.

No bailar de cada dia as máscaras se misturam
na mais pura covardia, acobertando os medos,
mascarando uma mentira.

O baile nunca termina...
mostra-me a tua face
que te mostrarei a minha,
convido-te a usar a máscara cristalina.

Leni Martins...

Fera


Sou fera enjaulada,
em pele de cordeiro,
ando de um lado pro outro
tentando escapar do cativeiro.

Sou fera ferida ,
pelas chibatadas da vida,
enclausurada me alimento
das minhas próprias feridas.

Sou fera trancafiada numa cela,
rodando em passos lentos,
rosnando pela liberdade e criando
mais ódio por dentro.

Sou fera que finge ser domada,
ligeira e traiçoeira, aguardando
o momento certo para atacar a presa.

Sou fera trancafiada por grades que me dominam
tenho sede de vingança,
por ter tido esta sina.

Sou fera felina
esperando o momento exato!
com minha pele de cordeiro
vou acabar com este carrasco.

Leni Martins

Chacal


Ladram os chacais
no portal do inferno.
São guardiões das almas
que às drogas se entregam

Rosnam feito loucos,
anunciando a chegada
daqueles que trocaram a vida
pelas pedras que são tragadas.

Transpiram ódio,
ladram de euforia,
abrindo os portões das trevas
para aqueles que não valorizam suas vidas.

É triste vê-los condenados,
engolindo terra fria,
a sete palmos enterrados
suas almas em agonia.

O preço a pagar é alto
pela ilusão consumida,
ausência de amanhã, abismo,
fantoches...em forma de vida.

Choram as mães dos insensatos
por suas mentes vazias
apelam pra que suas preces
não sejam súplicas tardias.

Leni Martins

Cada gota uma rosa


Derramarei a última gota vermelha
na estrada da ilusão
deste sangue que goteja
demarcando uma paixão.

Cada gota, um esquecimento
em cada esquecimento ,uma dor...
em cada dor, um pedido de socorro,
em cada gota, o amor.

Brotará neste chão manchado
rosas repletas de espinhos,
que se alimentarão de cada gota do meu
sangue gotejado no caminho.

Gota por gota
respingando em desalinho,
regando as rosas negras
que brotaram no caminho.

Cada gota, um esquecimento,
em cada esquecimento, uma cicatriz
das rosas negras que brotaram dentro
do meu peito criando tua raiz.

Leni Martins

Aqui jaz


Aqui jaz um corpo ainda
não soterrado , que sobrevive
de migalhas , de sentimentos inacabados.

Aqui jaz uma alma
iluminada que luta para não ser apagada
com todas as forças que tem.

Alma penada, de corpo ainda
não soterrado, briga e guerreia
contra as trevas do medo que mora ao lado

Aqui jaz, mora um pesadelo
que domina a mente, que se faz
presente em cada anoitecer.

Aqui jaz minha alma,
neste corpo condenado a morrer,
que de tanto amar ,
carrega em um manto a dor do padecer.

E meu pranto será o véu
na face entristecida,
enlouquecida ....
Aqui jaz minha vida,
sobreviverei entalhando em meu peito,
– Aqui jaz – a quem tanto AMEI.

Leni Martins

Saudade aprisionada


Saudade aprisionada

Saudade aprisionada
neste peito tão cansado...
Setes chaves não te libertam
e te condenam ao passado.

Neste canto onde choras
ninguém sabe...
Ninguém vê...
Não tem preces, nem promessas
que te façam esquecer.

Saudade aprisionada,
nesta cela do meu ser!
As recordações te deram vida eterna
e jamais irás morrer.

Leni Martins

Punhal


Beberei deste sangue que
me escorre pelo peito
numa taça de cristal quebrada,
sobre o punhal de lamina afiada,
que corta a alma , que mata.

Resistirei à dor ,
fincarei mais ainda
para nunca esquecer o desamor.

Beberei deste sangue até a ultima gota
para nunca esquecer tua traição.
Saciando minha ira
carregarei este punhal no coração.

Punhal de muitas faces,
cortaste minha carne
sem piedade, sem compaixão,
sobressaltando do meu corpo
a cor vermelha espalhando-se pelo chão.

Lavarei minhas vestes brancas
neste sangue derramado
que tornar-se-á a mortalha
deste corpo dilacerado.

És punhal
em todos os teus atos.

Leni Martins

Trago apenas eu


Trago-lhe um punhado de folhas secas
apanhadas pelo vento,
um punhado de tristezasem sorriso,
sem destreza,recolhido pelo tempo.

Trago em minha face traços de cansaço,
estilhaços de sofrimento,
retratando pedaços de momentos.

Refletido em meus olhoso tormento,
o escuro de um lamento frio e de dor.

Trago nas mãos
um punhado de flores
sem perfume, sem cor...murcharam
pois perderam seu encanto
pelo tempo que esperaram.

Trago em meu peito
uma ferida ainda não cicatrizada
que ainda sangra se tocada.

Trago um punhado
do que restou em mim.
Restou tão pouco... que até já esqueci.

Trago um punhado de dor e mel.
o amor que antes era doce, hoje é fel.
Sem troféu e condenada.
Levo sobre o ombro uma cruz pesada.

Mas trago no coração
um punhado de esperança,
pois as flores murchas voltarão a perfumar,
colorir e encantar.

Trago apenas eu,
renascendo das cinzas,
tentando ressuscitar.
Leni Martins

Sem lápide, sem flor


Sepultarei este sentimento
sem lápide , sem flor,
no mais profundo esquecimentos
sepultando junto
toda minha dor.
Sepultarei minhas lembranças
e toda saudade que sinto de ti...
no mais profundo esquecimento,
no lamento
de cada dia que perdi.
Sepultarei este sentimento
e junto dele minha esperança , minha ilusão
sangrando a alma...
feito lança fincando o coração.
Enterro-te , meu sentimento,
no poço fundo que me lançastes,
permaneça lá no fundo de onde saíste
e nunca mais me vem afligir.
Sepultando-te eu sobrevivo
sem lamúrias...
sem sofrimentos,
encontrando minha luz,
afugentando meu tormento.
Sepulto este amor
no mais profundo esquecimento,
sem ressentimento.
Sem lápide , sem flor.
Leni Martins

Decadência humana


Esgoto a céu aberto,
humanos comem lixo,
sem nenhuma perspectiva de vida,
muitos cometem suicídio

-Quem são os culpados?
Eu te respondo:
-São os políticos.

Guerra fria...
no poder legislativo,
eles burlam as leis...
pra seus próprios benefícios.

Olho por olho...
dente por dente...
Os governantes não se importam
com a fome desta gente.

O desemprego já virou rotina ,
é sapato furado e molhado
esperando o ônibus na esquina...

È assim que você pensa.
olho por olho,
dente por dente,
não é seu sapato...
seu safado presidente.

Doentes em hospitais,
morrem como indigentes,
é porque não são familiares
dos políticos e presidentes.

Crianças estão jogadas
em calçadas e avenidas,
sem um teto, sem escola
pedem esmolas pela vida.

Enquanto tudo isto acontece,
a corja do poder rouba e enriquece,
esquecem que quando morrerem,
levarão somente as vestes.

Doutores das leis
assinem a alforria,
libertem a humanidade da miséria
condenando os governantes por
homicídio e covardia.

Leni Martins

Ressurreição


Ressurreição.

Ressurgirei das cinzas
num leve sobro do vento,
de alma lavada,
intacta...
de onde estou há muito tempo.

Nos porões da minha saudade,
mantenho-me em cativeiro,
juntando os meus pedaços
que um dia foi inteiro.

Ressurgirei com a força
de um guerreiro...
Deixando minha fraqueza no passado
e todo meu medo.

Abrirei meu peito num suspiro
profundo,
renascendo para vida,
deixando penetrar em minha alma
toda luz que há no mundo

Ressurgirei deste casulo
como as borboletas nascem depois
de muito tempo no escuro, no esplendor
de suas cores batem asas pro futuro.

Renascerei...
Ressurgirei de toda dor contida...
Em meio aos jardins, serei uma
flor ainda não colhida,
orvalhada pelo sereno da madrugada que
se finda.

Em meio às constelações serei
uma estrela expressiva
que ofuscará repentinamente
lampejos em tua retina.
Leni Martins

Não temo mais


Não temo mais...
os fantasmas que me perseguem.
Eles já fazem parte das minhas noite e tardes.
Convivem comigo em meu cárcere.
Fazem-me companhia
em dias de nuvens negras onde
o sol não brilha.

Na lama, onde atolo minhas poesias,
escureço meu olhar, perco minha alegria,
confesso em meus versos as tristezas dos meus dias

Não temo mais ao confrontar-me comigo,
já me vejo no espelho como assombração
admito...
ser um ser abatido, meio sem cor,
pálido e ferido.

Vou ficando frio...
sem emoções..neste meu vazio.
No oco do meu mundo
vou desfilando letras e compondo
meu absurdo.

O escuro não me aflige mais...
se não tenho estrelas fico apenas
com os vendavais.
Se nem o vento aqui passar, fico apenas
com o silêncio a me silenciar.

Não temo mais a boca seca,
nem as mãos cruzadas,
nem ao arrepio que me chega
em horas desesperadas. Ajoelho-me
e me entrego ao exílio de minhas palavras.

Durmo entre as navalhas...
Acordo entre os punhais.
Tornei-os desprezíveis,
não me cortam nunca mais.


Leni Martins

Cálice de veneno


Envenenarei minha saudade
Com um cálice de amargo fel
para matar esta saudade que
descrevo em um pedaço de papel.

Envenenarei minhas lembranças
com um cálice transbordando
de esperanças para que morram
esperando no tempo e na distância.

Envenenarei minha dor
com um cálice de doce veneno
para aliviar o sofrimento que habita
em meu peito.

Envenenarei o amor que sinto
em um cálice de vinho tinto
brindando a morte de um sentimento
que há muito vem me ferindo.

Brindemos ...cálice de veneno,
mato a mim mesmo,
envenenando estes sentimentos.

Leni Martins

Serpente


Carrego em minha boca
o veneno da serpente,
que me escorre pela garganta
acumulado entre os dentes.

Tenho nas entranhas um misto de
sentimentos, a ira da víbora
que desliza em segredos, traiçoeira
e escondida aguardando meus desejos.

Carrego em meu peito
uma naja enrolada,
do lado esquerdo ela me prende,
do outro ela me abraça.

Controlando-a
a cada dia que se passa,
não deixando seu veneno
ultrapassar minha couraça.

E vou mantendo esta serpente...
não deixando o seu veneno se
destilar em minha mente.
Leni Martins

Vermelho rubro


Veja o vermelho rubro
em cada verso que escrevo
manchando uma folha em branco
do vermelho intenso que me escorre
pelos dedos.


Vermelho rubro...
do corte feito em meus sentimentos,
derramado no manuscrito que deixo,
letra por letra escorridas dos meus
pensamentos.

Manuscrito de sangue
em cada verso que escrevo.
Vermelho rubro
que me escorre pelos dedos.

Deixarei lindas rosas rubras
despetaladas sobre o manuscrito, tão vermelhas
e vivas, quanto o amor que sinto.
Leni Martins

A força do medo


O medo bloqueou minha estrada,
limitou meu espaço, acorrentou minha alma,
travou meu passo.

O medo cercou minha trilha,
enforcou-me num laço,
calou minhas palavras, me tornou seu escravo.

O medo matou dentro de mim
uma semente chamada liberdade
aquela que brota com o vento
e semeia a felicidade.

O medo confinou meu ser
nas entranhas do destino,
num emaranhado como de um arame farpado,
arruinado e desprovido.

O medo me condenou, me batizou
com minhas lágrimas, selou minha boca,
cegou minha verdade, esfacelou meu sonho
e amordaçou minha vaidade.

O medo amputou minha força,
esquartejou minha coragem,
esfaqueou meu peito...
Tornou-me um covarde.

O medo escureceu meu brilho,
apagou minhas estrelas ,
Secou meu riacho ,
murchou minha flor...
Tornou-me seu capacho.

O medo quebrou o cristal polido,
estilhaçou em mil pedaços minha face
de vidro, não sou mais eu . Agora
sou apenas...
cacos perdidos.



Leni Martins 13/03/07

Incinerado


Incinerado

Mate este amor...
incinere-o sem lamentos
nas chamas do fogo ardente
até se tornarem cinzas todo este
sentimento.

Lance as cinzas nos quatro cantos do vento,
para serem levadas na leveza dos pensamentos.
Serão cinzas do amor incinerado, nem preces nem
milagres o trará ressuscitado.

Amor renegado, veio do pó e ao pó será retornado.
Não rogue por mim, nem por este amor incinerado,
queime-o no fogo dos seus atos, que
estarei livre, espalhando as cinzas do passado,
livre como os pássaros...
livre como vento...
Não será eternizado.

Leni Martins

Morta


Morta

Sinto-me morta
nesta cruz que me suporta!
Nem mesmo eu sei o que mais me importa!
Se é a tua ausência, ou se é a tua volta!

Neste meu recinto de segredos e labirintos,
vou deixando a máscara cair.
Não sei se finjo estar triste,
ou se finjo estar feliz.
Neste meu neutro estado de ser,
não sei mais o que sentir.

Sinto-me morta
diante destas horas tortas,
enforcada em uma corda,
sufocada, em coma,
imóvel e sórdida.

Neste meu sepulcro,
coloco minha vida...
decoro-o com letras
e algumas notas de melodia
para aliviar-me desta morte
que me mata a cada dia.

Leni Martins

Dor


Minha dor é fogo que se alastra,
carruagem carregada de medo,
brasa ardente que não se apaga.

Minha dor é aperto no peito
feito peso do aço...
chicotadas nas costas
de cabeça pra baixo.

Dor...
que se propaga,
que me enlaça...
que me enrosca
como roseira de espinhos sem rosas.

Minha dor é...
flecha lançada no peito,.
estaca cravada na alma,
ferida sangrenta...
no castigo de minhas horas.

Leni Martins

Desconhecida


Desconhecida

Não reconheço meu olhar...
Que a muito tempo se perdeu,
Nas curvas de uma estrada...
Nas encruzilhadas do meu eu.

Desconheço-me
Diante deste espelho...
Face de alguém oprimido,
Face de alguém em desespero.

Não me reconheço mais, me esqueço,
Sinto-me só...
Um espantalho da meia noite
Um punhado de pó.

Um ser omisso, sem voz.
Que não amanheceu com
A luz frouxa do nascer do sol.

Eu anoiteci, me esqueci...
Guardando-me para as estrelas
Não me reconheço mais...
Sou o fantasma da lua cheia.

Leni Martins

Pensativa


Pensativa

Mãos no rosto,
Como quem esconde o desgosto
Dos dias cinzentos, do lodo,
De uma mente presa,
Que pensa o tempo todo.

Solidão que me desatenta,
Tornando-me mais sonolenta
Almejando sonhos de uma alma sedenta
Por mais lucidez e clareza.
Pensativa...
Alimentando-me de incertezas.

Boca entre aberta...
Palavras dispersas,
Fagulhas de pensamentos
De uma vida que tem pressa

O que me resta
Nesta tarde sem entregas?
Pensamentos que me acompanham
No espectro de uma fresta.

Pensativa...
Olhando da janela,
Vendo o dia partir com tanta pressa,
Deixando-me em sentinela,
Pensando em cada dia
Que a vida me leva.

Leni Martins

O teu silêncio


Corta-me o teu silêncio,
No meio do meu peito...
Como navalha amolada
Cortando aos poucos...
Cruel e gelada.

O teu silêncio me apaga
A única chama que me resta
A única luz que me arrebata

Um silêncio que me cala...
Que me amarra e sufoca
Na forca dos incompreendidos,
No nó que me enrosca.

O teu silêncio queima-me
Com febre de não te ouvir,
Arde como brasa dentro de mim,
Teu silêncio é como fogo
a me consumir.

E nas chamas deste teu silêncio
Resta-me falar por ti...


Leni Martins

Longe de mim mesmo


Longe de mim mesmo!

Estou longe de mim mesmo,
Vagando em pensamentos,
Oprimindo meus sonhos,
Desprezando meus desejos.

Longe das fantasias,
Longe dos entusiasmos,
Vivendo a realidade
Sobrevivendo de um passado.

Estou longe de mim mesmo,
Vivendo o que mais temo,
De corpo cansado e alma morrendo!
Olhos vendados, pés amarrados
Punhos fechados, amargo veneno.

Longe de mim mesmo!
No suicídio dos meus dias,
Eu vou me entorpecendo,
Matando as alegrias,
Matando-me por dentro.

Estou muito longe!
Muito longe de mim mesmo!

Leni Martins

Último suspiro


Veja o nada em que me tornei
Teu silêncio é sufocante
Você poderia ver se notasse a minha medíocre existência
Não feche seus olhosagora
Logo agora que preciso de ti
Estenda a tua mão e me tire desse escuro
Aqueça-me nesse frio mórbido,nessa noite triste
Faça-me viver novamente...se é que um dia eu estive viva
Queria sonhar novamente...
Mas tudo o que acontece é você vir,invadir a minha mente confusa
e assombrá-la,consumindo o único resto de sanidade que há em mim
Enfraqueço nesse silêncio,seus olhos tão distantes que preferem fitar o nada que a mim
Não consigo dizer uma só palavra
Isso vai acumulando,acumulando,me envolvendo...
Me sufocando,me possuindo,me matando...
Despedaçada...
Veja o que está diante de ti,não feche os olhos
Não seja mais um a fazer isso comigo
Este é o meu último suspiro que deixo para ti...

Minha outra vida


Vejo almas morrendo naquele momento,

Ouço gritos de dor e sofrimentos,

Lamento-me, lamento,

Pelas almas que estão sofrendo no momento.

Em minha fria face congelada pelo tempo eu já...

Não agüento... Não agüento...

Tanto sofrimento.

Almas a gritar eu a chorar, a implorar por um pouco de paz,

Paz que eu já tive, e será que terei novamente?

Errei o caminho agora irei de pagar.

Desejo um pouco de luz, pois,

Minha alma já não ver, e meu corpo já não sente a tua presença,

Agora nada me resta fora, mas dentro existe um pouco de...

Esperança, coagulada no canto da minha outra vida