
Um ser obscuro
um ser solitário
esconde-se no escuro
um ser ao contrário
cabelo comprido
botas pesadas
um rato comido
são histórias contadas

Devo aceitar o meu padecer,
Sombras, carne fétida,
Tudo é negro.
Estou pálida,
Falta sangue nas veias,
Falta vida neste viver.
Grito, tento me aproximar,
Ninguém escuta…
Choro a dor de feridas
Expostas na alma,
Ninguém vem me consolar…
Sou nada, existi apenas.
Alta madrugada, todos dormem,
Sono profundo, eterno,
Estou a perambular, não descanso,
Frio jazigo.
Queria embalar num sono real,
Voltar a viver, sorrir …
Desta vez quem sabe,
Ser feliz.

Rosas perfumadas e sem espinhos,
Que colheste, ferindo as mãos,
Sobre meu túmulo vais desfolhando
Na mais completa solidão…
Segue meu corpo envolto
Por flores, entrelaçadas as mãos,
Que um dia seguraram as tuas,
E suplicaram amor em vão!
Ruflarei minhas asas na tênue linha,
Que separa, no horizonte, o céu…
E hei de te ver chorar sozinha!
E se um dia tiveres que me encontrar!
Que venhas vestida no mais puro véu,
Da saudade que te há de matar!

Os olhos que se fecham num rosto fechado,
Abrindo velhas chagas de velhas memórias,
Sentindo cada chaga perfurar a alma,
Aquela que há muito tempo se perdeu,
Se espalhando em mil pedaços pelo chão…
Onde o rosto nunca se abre,
Rosto que sangra por dentro,
Arrancando cada esperança de si…
Oh, que amarga doçura…
A musica que embala do compasso,
O compasso que se arrasta para a morte,
Arrastando aquele ser que se fecha,
Deixando cada chaga se esvaiando em sangue,
Iluminando pelas trevas a alma perdida,
Fechando sobre si tudo o que se desaba,
Deixando que apenas permaneça um rosto fechado…


No espaço onde eu habitava não me encontro mais.
no mesmo lugar está um velho par de sapatos;
roupas num canto, outras na parede penduradas.
na solidão conversam entre si em diálogos silenciosos;
perguntam por mim.
Mas não estou.
há tempos não me vêm, há tempos não saem;
há tempos não me vestem; há tempos não me calçam os pés.
E não sabem onde estou.
É que sou feito do mesmo tecido que são feito os sonhos,
e como não mais tenho sonhos, tampouco tenho vida;
tampouco existo.
mas o que ainda há, são vestígios de mim.
Entre a poeira e o mofo,
o silêncio e a solidão,
pedaços de mim no chão.
Roger Silva


Solidão interior.
É quando tu sentes
que este não é o teu lugar.
Não é o teu tempo...
Não é o teu mundo.
É sentir saudades de alguém
que tu não conheces.
É quando mesmo acompanhado,
tu te sentes sozinho.
Solidão interior.
É sorrir e sentires-te triste.
É quando os teus dias passam devagar.
É quando tu te encontras na
escuridão das noites, sem ninguém.
É quando tu desabafas ao vento
e ele desmancha as tuas palavras no ar.
Solidão interior.
É quando tu tens milhões de sentimentos,
mas encontras-te no vazio.
É quando tu sentes a dor de não
viver um amor e o teu coração grita.
É quando tu queres amar,
mas não encontras a outra metade da tua alma.
Solidão interior, é quando tu
começas a acreditar que o amor
é apenas uma fuga...
para quem não sabe viver só...




















Leni Martins








Vejo almas morrendo naquele momento,
Ouço gritos de dor e sofrimentos,
Lamento-me, lamento,
Pelas almas que estão sofrendo no momento.
Em minha fria face congelada pelo tempo eu já...
Não agüento... Não agüento...
Tanto sofrimento.
Almas a gritar eu a chorar, a implorar por um pouco de paz,
Paz que eu já tive, e será que terei novamente?
Errei o caminho agora irei de pagar.
Desejo um pouco de luz, pois,
Minha alma já não ver, e meu corpo já não sente a tua presença,
Agora nada me resta fora, mas dentro existe um pouco de...
Esperança, coagulada no canto da minha outra vida