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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Um ser


Um ser obscuro
um ser solitário
esconde-se no escuro
um ser ao contrário

cabelo comprido
botas pesadas
um rato comido
são histórias
contadas

Lamento


Devo aceitar o meu padecer,
Sombras, carne fétida,
Tudo é negro.
Estou pálida,
Falta sangue nas veias,
Falta vida neste viver.

Grito, tento me aproximar,
Ninguém escuta…
Choro a dor de feridas
Expostas na alma,
Ninguém vem me consolar…
Sou nada, existi apenas.

Alta madrugada, todos dormem,
Sono profundo, eterno,
Estou a perambular, não descanso,
Frio jazigo.
Queria embalar num sono real,
Voltar a viver, sorrir …
Desta vez quem sabe,
Ser feliz.

A saudade que há de matar


Rosas perfumadas e sem espinhos,
Que colheste, ferindo as mãos,
Sobre meu túmulo vais desfolhando
Na mais completa solidão…

Segue meu corpo envolto
Por flores, entrelaçadas as mãos,
Que um dia seguraram as tuas,
E suplicaram amor em vão!

Ruflarei minhas asas na tênue linha,
Que separa, no horizonte, o céu…
E hei de te ver chorar sozinha!

E se um dia tiveres que me encontrar!
Que venhas vestida no mais puro véu,
Da saudade que te há de matar!

Por detrás do rosto fechado


Os olhos que se fecham num rosto fechado,
Abrindo velhas chagas de velhas memórias,
Sentindo cada chaga perfurar a alma,
Aquela que há muito tempo se perdeu,
Se espalhando em mil pedaços pelo chão…

Onde o rosto nunca se abre,
Rosto que sangra por dentro,
Arrancando cada esperança de si…

Oh, que amarga doçura…
A musica que embala do compasso,
O compasso que se arrasta para a morte,
Arrastando aquele ser que se fecha,
Deixando cada chaga se esvaiando em sangue,
Iluminando pelas trevas a alma perdida,
Fechando sobre si tudo o que se desaba,
Deixando que apenas permaneça um rosto fechado…

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


Tão vazia é minha existência.
Na penunbra da noite vago sem rumo,
na luz do dia durmo acordado.
Existência sem vida e corpo sem alma.
Fúnebre é minha aparência...
Gelada é minha alma e ainda sim vivo?
Cercado por muitos e ainda sim só...
Sempre só.
Às vezes vejo minha vida como um
filme de expressionismo alemão...
Sombrio,sem cor e sem vida.
Caminho perdido nos arabescos
pintados pelo destinho,enquanto
minha mente fica presa nos
arabescos que eu mesmo pintei.
Corpo sem espírito,mente sem
motivação e ainda sim vivo?

Você


Não é preciso ver lágrimas em seus olhos para saber que você não está bem. Não é preciso ver você em um caixão para saber que está morta, pois o seu silencio chora por si e se as lágrimas surgirem será você que está se matando......

Pedaços de mim no chão


No espaço onde eu habitava não me encontro mais.
no mesmo lugar está um velho par de sapatos;
roupas num canto, outras na parede penduradas.
na solidão conversam entre si em diálogos silenciosos;
perguntam por mim.
Mas não estou.
há tempos não me vêm, há tempos não saem;
há tempos não me vestem; há tempos não me calçam os pés.
E não sabem onde estou.
É que sou feito do mesmo tecido que são feito os sonhos,
e como não mais tenho sonhos, tampouco tenho vida;
tampouco existo.
mas o que ainda há, são vestígios de mim.
Entre a poeira e o mofo,
o silêncio e a solidão,
pedaços de mim no chão.

Roger Silva

Agonia


DEMÔNIOS ESTRANHOS NEGROS ME RODEIAM ME SUFOCAM
O DESESPERO ME ACOMPANHA, VEM DAS ENTRANHAS DO DEMÔNIO " SUPONHO"
ME MATA AGORA MELHOR DO QUE ME MAGOAR
RELAXAR É DEMAIS PARA MIM.
NÃO CONSIGO VIVER ASSIM,
DORES SEM FIM, INFERNIZAM MINHA VIDA FERIDA SOFRIDA
SEMPRE VEM ALGO CUTUCAR ESSA BRECHA, QUE NÃO QUER SAIR DO MEU PASSADO, E SE HOSPEDA NO PRESENTE, REPATENTE, TUDO DE NOVO
ESSE MUNDO É LOUCO, VOU ME MATAR.
É DOR DEMAIS PRA SUPORTAR, NÃO VOU AQUENTAR, POR QUE ISSO?
POR QUE NÃO DESSISTO DE AMAR...

Solidão interior


Solidão interior.
É quando tu sentes
que este não é o teu lugar.
Não é o teu tempo...
Não é o teu mundo.
É sentir saudades de alguém
que tu não conheces.
É quando mesmo acompanhado,
tu te sentes sozinho.

Solidão interior.
É sorrir e sentires-te triste.
É quando os teus dias passam devagar.
É quando tu te encontras na
escuridão das noites, sem ninguém.
É quando tu desabafas ao vento
e ele desmancha as tuas palavras no ar.

Solidão interior.
É quando tu tens milhões de sentimentos,
mas encontras-te no vazio.
É quando tu sentes a dor de não
viver um amor e o teu coração grita.
É quando tu queres amar,
mas não encontras a outra metade da tua alma.

Solidão interior, é quando tu
começas a acreditar que o amor
é apenas uma fuga...
para quem não sabe viver só...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Solidão


Solidão é espaço vago no coração,
não tem fundo, nos afunda no abismo
da escuridão, é vazio cheio de despeito,
um buraco no peito, um deserto de amplidão.

Solidão é um silêncio medonho,
do tamanho do próprio ser, que enche
a alma muitas vezes sem um porquê.

Solidão é como um barco naufragado,
sem um porto para ancorar, que vagueia
sem rumo, perdido em alto mar.

Solidão é caminhar conversando com
própria sombra refletida, e na loucura
de cada passo saber que esta sombra
tem vida.

Solidão é chuva fina em dias de frio,
é observar da vidraça os pingos caindo
até se formarem um rio.

Solidão não tem chão,
não tem fundo,
é buraco profundo
criado no coração.

Solidão é flor sem perfume,
céu sem mar,
mar sem ondas,
noite sem luar,
é rastro desmanchado pelo vento
de um pássaro que já não pode
mais voar.

Leni Martins

A fúria da foice


Foice de amarguras,
sua fúria ceifou
minha alma , deixando
minha aura escura.

Fúria da foice que domina
vem chegando e podando
toda alegria, numa fúria incessante
e enlouquecida.

Cortou minha trilha,
ceifou minha vida,
arrancou do meu peito
a esperança contida.

Esta fúria que move
montanhas, que parte
em duas partes minhas
feridas, feito a foice da morte
marcada para aquele dia.

Mata tudo que vem pela frente
a fúria da morte,
feito foice demente,
afiada de dois gumes delinquentes

Nessa ira que me envolve,
nessa foice que me corta
eu me entregarei ao ócio e naquele
pódio que nunca pertenci, deixarei
que a fúria da foice me dilacere até me
sucumbir.

Fúria da mente
foice do ódio,
morre tudo que se tem,
mata tudo que se pode.

Leni Martins

Lábios traiçoeiros


Beijei os lábios da noite...
Sentenciando minha pena
e como testemunha eu tinha
somente as estrelas.

Lábios que profanaram...
em beijos que me ardiam...
sem dizer nenhuma palavra
apenas me possuíam.

Naquela noite eu sabia...
que os beijos da noite eram passageiros
como a luz do dia...

Eram lábios
vagos na escuridão
covardes e arredios
que beijavam e traiam
sem pedirem perdão.

Lábios traiçoeiros,
eu já sabia
que me negarias como um Judas
antes que clareasse o dia.

Leni Martins

Baile de máscaras


Bem - vindo ao baile de máscaras da vida.
Só entra no baile aquele que máscara utiliza.

Máscara de aço, aquele que se faz de forte
porque é fraco.

Máscara de palhaço, aquele que é triste e se faz
de engraçado....

Máscara com purpurina, .aquele que se faz de frágil
porque a fúria o domina

No baile de máscaras da vida a noite não termina...
bailamos sem nos conhecermos
em cada passo, em cada esquina.

No bailar de cada dia as máscaras se misturam
na mais pura covardia, acobertando os medos,
mascarando uma mentira.

O baile nunca termina...
mostra-me a tua face
que te mostrarei a minha,
convido-te a usar a máscara cristalina.

Leni Martins...

Fera


Sou fera enjaulada,
em pele de cordeiro,
ando de um lado pro outro
tentando escapar do cativeiro.

Sou fera ferida ,
pelas chibatadas da vida,
enclausurada me alimento
das minhas próprias feridas.

Sou fera trancafiada numa cela,
rodando em passos lentos,
rosnando pela liberdade e criando
mais ódio por dentro.

Sou fera que finge ser domada,
ligeira e traiçoeira, aguardando
o momento certo para atacar a presa.

Sou fera trancafiada por grades que me dominam
tenho sede de vingança,
por ter tido esta sina.

Sou fera felina
esperando o momento exato!
com minha pele de cordeiro
vou acabar com este carrasco.

Leni Martins